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A criação de aves, suínos e gado é sempre apontada como um dos principais vilões na emissão de gases estufa. Para o produtor os dejetos desses animais ainda podem gerar passivos ambientais, pois a grande quantidade de matéria fecal produzida nos locais onde são criados esses animais pode causar a poluição de solos e mananciais.

Na região Sul do Brasil, a suinocultura é uma das principais atividades pecuárias, o que requer soluções para minimizar a poluição decorrente dessa produção. Em Santa Catarina, estado que detém o maior rebanho do país, cerca de 6,2 milhões de cabeças (do total de 34 milhões), a produção de dejetos é de 20 mil toneladas por ano o que representa um potencial de poluição equivalente ao de 24 milhões de pessoas.

Pesquisas apontam que o principal problema ambiental é que esses resíduos são muito ricos em fósforo, o principal nutriente das chamadas algas azuis, um tipo de floração que contamina e deteriora a água, e que pode causar sérios problemas à saúde de pessoas e de animais. Há, ainda, a questão do metano, que é o gás exalado pelo material orgânico e que provoca danos na atmosfera.

Duas soluções que vem se destacando, aliam manejo sustentável e ganho econômico:

Geração de Adubo Orgânico

A compostagem realizada com os dejetos desses animais é uma delas. A técnica transforma o que é resíduo em adubo. Ou seja, ao invés de ter um passivo ambiental na sua propriedade com o risco dos detritos atingirem rios e poluírem o solo, o produtor ganha a possibilidade de ter renda extra e fazer o seu próprio adubo orgânico.

“Este fertilizante orgânico pode ser comercializado. É um fertilizante com alta concentração de nutrientes com alto valor agregado, então tem uma alta demanda no mercado. Vendendo este produto, além da geração extra de renda, você está desocupando o espaço que aqueles dejetos ocupariam e possibilitando uma área maior para a criação de animais”, explica o pesquisador da Embrapa Rodrigo Nicoloso.

A Embrapa Suínos e Aves possui uma equipe técnica para auxiliar o produtor no processo e disponibiliza informações no próprio site explicando como fazer a compostagem (www.cnpsa.embrapa.br).

Uso dos dejetos na produção de Energia Limpa

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) já possui uma regulamentação que permite a produção e a venda de energia produzida dos dejetos de animais (Biogás).  Os Estados de Santa Catarina e Paraná já possuem contratos que viabilizam a utilização destas energias pelos produtores, o que resulta em significativa economia de energia elétrica, além de colaborar com o Meio Ambiente.

Em São Miguel do Iguaçu (PR), o suinocultor José Carlos Colombari, comprova como o investimento em energia renovável pode impulsionar os negócios no campo. Primeiro produtor rural do país a vender eletricidade em um sistema de geração distribuída, Colombari demonstra a existência de mais uma fonte de renda  no setor rural brasileiro, com a  incorporação de um novo produto ao mercado nacional do agronegócio: o biogás. Ele dobrou a  sua produção nos últimos dois anos, graças ao saneamento ambiental, à produção de biofertilizantes e à economia de energia proporcionados pelo aproveitamento do biogás para o abastecimento de eletricidade em sua granja.

José Colombari recebe em média R$ 2.500 mensais com a venda do excedente de energia de sua propriedade à Companhia Paranaense de Energia Elétrica (COPEL).  Os cerca de 20 mil qWh de eletricidade disponibilizados diretamente na rede são gerados a partir de mil metros cúbicos de biogás que ele produz diariamente com os dejetos dos cinco mil suínos de sua granja. A produção de biogás assegura a total eletrificação de sua propriedade, permitindo uma economia mensal de cerca de R$ 8.200.

Outra fonte de renda provém dos gases de efeito estufa que deixam de ser emitidos para a atmosfera e que rendem ao produtor aproximadamente R$ 4 mil por ano em créditos de carbono. O ciclo econômico se completa com a transformação da biomassa residual em fertilizante – fonte de nitrogênio, fósforo e potássio – que permite a fertilização orgânica do solo e garante uma economia da ordem de R$1,5 mil mensais. O  conjunto de receitas e economias que Colombari obtém com o biogás alcança cerca de R$12.500 mensais,  totalizando R$150 mil ao ano.

Pesquisa: Portal Dia de Campo e Plataforma Itaipu de Energias Renováveis

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